O negócio parecia excelente. Para economizar cerca de R$ 2 mil em honorários advocatícios, um empresário decidiu não contratar um advogado para elaborar o contrato de compra e venda de um terreno destinado a uma futura incorporação imobiliária. Ele conhecia o vendedor, havia confiança entre as partes e sempre existe uma minuta pronta e gratuita na internet para situações como essa.
Meses depois, descobriu que o terreno não comportava o projeto que pretendia desenvolver. A solução parecia simples: rescindir o contrato, desfazer o negócio e recuperar o sinal pago. Mas havia um problema: o contrato assinado não previa aquilo que deveria ter previsto. O resultado foi a necessidade de desembolsar aproximadamente R$ 200 mil para quitar a obrigação assumida antes de conseguir revender o imóvel e encerrar a operação.
Não foi o único caso parecido que vi ao longo da carreira.
A recorrência de casos como esse costuma decorrer de uma crença muito difundida no ambiente empresarial: a de que prevenção jurídica é custo – e desnecessário. Estranhamente, essa percepção costuma desaparecer após o surgimento do problema.
Na prática, empresários raramente deixam de contratar proteção porque desconhecem os riscos que envolvem seus negócios. Ao contrário. Deixam de contratar porque acreditam que tais riscos se materializarão com outras pessoas, outras empresas, outros negócios – nunca com os seus.
A confiança parece suficiente. A boa relação parece suficiente. A experiência parece suficiente. Até que deixem de ser.
É interessante observar que quase ninguém se arrepende do valor investido para evitar um problema que nunca aconteceu, mas muitos se arrependem do valor economizado quando descobrem o preço real de um problema que poderia ter sido evitado.
Talvez porque os riscos mais caros não sejam aqueles que conhecemos. São aqueles que acreditamos não existir. E é justamente por isso que contratos nunca foram apenas um aperto de mãos. São instrumentos para lidar com situações em que a confiança, a boa vontade, a proximidade e a boa conversa deixam de ser suficientes.